
UMA AULA SOBRE RIOS BRASILEIROS
INTRO.: Numa aula imaginária de Geografia, com informações reais e ilustradas por canções, o Professor Paulo Kobaiashi fala sobre as principais bacias hidrográficas brasileiras
NARRADOR.: Pedimos licença para um transporte no tempo e imaginarmos momentos de aulas de Geografia. Nós, alunos sentados nas cadeiras de uma sala imensa de um conhecido cursinho paulistano. Todos com os olhos voltados para as explicações empolgantes do Professor Paulo Kobayashi. Naquele dia de aulas do Koba o tema é “Bacias hidrográficas brasileiras”. Dá pra sentir, ecoando nas paredes da sala, as frases da voz forte do Koba, enquanto ele aponta sua varinha em direção à tela, reforçando as explicações sobre os principais rios do país.
“KOBA”: “Ao Norrrrrte do Brasil está o Rio Amazonas, com toda a sua exuberância. Nasce em terras peruanas, na montanha Nevado Mismi da Cordilheira dos Andes. Então, atravessa o território brasileiro e vai desaguar no Oceano Atlântico. É simplesmente o maior rio do mundo, com seus 7.050 km de extensão.”.
NARRADOR: Numa mesa ao lado, dois monitores-DJs estão assessorando o Koba. Aproveitam uma parada do professor que para pegar um copo d`água e incluem um som ambiente nas caixas espalhadas pela sala. Entra a canção “Rio Amazonas” de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro. “Nas águas do Rio Amazonas. O meu coração se banhou. No fundo encantado. Do lado de lá. A voz da Iara chamou. Ouvi chamar. Seu canto. Cruzou o Amazonas. No bico de um sabiá.” Koba volta, levanta a mão dando um sinal aos monitores, que abaixam o som até fade out para ele retornar à explicação.
“KOBA”: “O Amazonas é também o rio que apresenta o maior volume d´água do mundo, provocando um choque e grande barulho ao se encontrar com o mar. Este fenômeno em sua foz, recebe o nome de pororoca. Para movimentar tanta água, vocês imaginam quantos afluentes tem o Amazonas? Vou dar algumas opções. Que tal oitenta e dois? Trezentos e vinte? Quatrocentos e cinquenta e três? Setecentos e trinta e sete. Ou um mil e cem? Quem acha que são oitenta e dois afluentes levante a mão. Aqueles que pensam que são trezentos e vinte… A resposta certa é um mil e cem afluentes, sendo os principais o Negro, que fica na sua margem esquerda e tem 2.250 km. E o Rio Madeira, na margem direita, com 3.240 km “.
NARRADOR: Em seguida, os monitores entram com “Imagens”, uma composição de Marlui Miranda e Otávio Afonso, do álbum Revivência de Marlui Miranda, que cita o Rio Madeira. “Preso eternamente na lembrança das coisas que não foram feitas. O tempo parte e quebra como a bilha equilibrada na cabeça. Que não pensa, que não pensa. Como a fenda entreaberta na janela do Madeira, rio Madeira.” A um novo sinal do Koba, monitores abaixam a música para ele voltar ao tema.
“KOBA”: “Agora concentração total. Vamos ver um outro grande rio. Conhecido como rio da integração nacional, o São Francisco tem 2.830 km de extensão, atravessando 521 municípios de cinco estados: Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Sua água é usada na irrigação da agricultura da região, especialmente na região do semiárido, onde são cultivadas diversas frutas. Nas margens do rio São Francisco vivem os ribeirinhos, que representam cerca de 10% da população do país. Muitos deles são pescadores, lutam pela preservação do rio e vivem da dieta feita à base das 152 espécies nativas de peixe. Além disso, o São Francisco abriga seis usinas hidrelétricas: Três Marias, Paulo Afonso, Moxotó, Sobradinho, Xingó e Itaparica.”
NARRADOR.: Pelo microfone, os monitores avisam Koba e anunciam a canção “Sobradinho” de Sá e Guarabyra, lançada em 1977, que destaca uma mensagem de protesto contra a construção da usina hidroelétrica do mesmo nome. Por seus microfones, os monitores lembram também como o São Francisco é reverenciado por vários outros cantores. Geraldo Azevedo, por exemplo, dedicou o álbum “Salve São Francisco” ao rio que passa em sua cidade natal Petrolina. E desse lindo disco, escolhem a canção “Barcarola do São Francisco”, composta por Geraldo Azevedo e Carlos Fernando. E cantada pelo Boca Livre. “É a luz do sol que encandeia. Sereia de além-mar. Clara como o clarão do dia. Mareja o meu olhar. Olho d’água, beira de rio. Vento, vela a bailar. Barcarola do São Francisco. Me leve para o mar”. O horário de aula já está acabando e Koba retoma a palavra para lembrar mais um rio gigante.
“KOBA”: “E pra completar a primeira parte das Bacias Hidrográficas Brasileiras quero falar sobre um dos mais importantes rios da América do Sul, o rio Paraná.”
NARRADOR: Koba pede música e os monitores atendem prontamente com “Rio Paraná”, de Ary Toledo, nas vozes e toada de Tonico e Tinoco. “Paraná, correndo sempre, vem descendo a cabeceira. Rolando terra vermeia, cavando praia de areia. Rola espuma, rio grande, vem e sarta a cachoeira. Ai, barranca do Rio Paraná”. Koba faz novamente o gesto pra abaixar o som e continua sua explicação.
“KOBA”: “O Paraná é um rio imenso, com 4.880 km. Nasce da confluência dos rios Paranaíba e Grande, nas divisas de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso. E corre para o sul do país, criando o marco natural entre a Argentina e o Paraguai. Tem quatro usinas hidrelétricas, sendo Itaipú a mais importante e a segunda maior do mundo. Então o Paraná segue pelo território argentino até desaguar no estuário do rio da Prata. Com o seu principal afluente, o Rio Tietê, forma a hidrovia Tietê-Paraná. Então, pra completar, quem pode indicar um dos principais afluentes do rio Tietê?”
NARRADOR: Lá do fundo da classe alguém gritou, forçando um sotaque caipira:
ALUNO: – Tem o Rio de Pir racicaba, professôrr.
“KOBA” – Resposta correta. E vocês caros monitores, sugerem alguma música saídera?
NARRADOR: Sim, responderam juntos os monitores, colocando a canção “Rio Piracicaba” de Lourival Dos Santos, Piraci e Tião Carreiro, com Chitãozinho e Xoxoró e Almir Satter. “O rio de Piracicaba vai jogar água pra fora. Quando chegar a água dos olhos de alguém que chora. Eu quero apanhar uma rosa. Meus olhos já não alcançam. Eu choro desesperado. Igualzinho uma criança. Duvido alguém que não chore. Pela dor de uma saudade. Quero ver quem não chore. Quando ama de verdade.”
CRÉDITOS
Nota 1: pesquisa histórica, pesquisa musical, texto e vozes por Nando Cury
Nota 2 – Esta é uma singela homenagem ao grande professor Paulo Kobaiashi, o Koba.
Com requintado senso de humor e envolvente didática, Koba tornou-se um ícone de cursos preparatórios para as faculdades. Como político, conquistou 7 mandatos parlamentares, sendo 2 vezes vereador; 3 vezes deputado estadual e 2 vezes deputado federal.
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